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Opinião - Política

 

 

O ateísmo e a maldade no Brasil e mundo afora

No Brasil, segundo o último censo feito pelo IBGE, nós já somos uma população de quase 200.000.000(duzentos milhões), com pessoas de todas as raças, origens, crenças, etc. Desse universo da população brasileira, apenas 8.000.000(oito milhões) são ateus ou sem religião.

Permeando as redes sociais - facebook, twitter, etc -, no entanto, num debate acirrado que vem sendo travado nos últimos meses, dias..., principalmente entre os jovens crentes e ateus, agnósticos, etc., sobressai o discurso ignorante e sem qualquer base na realidade, originário dos primeiros, que atribui aos últimos, apriorísticamente, o perfil ético/moral negativo, pois seriam pessoas capazes de "tudo na vida", para fazerem as piores maldades e barbaridades, porque não têm Deus no coração.

Ou seja, se levássemos ao pé da letra aquela estupidez desses portadores de fé, os assassinos; estrupradores; assaltantes de toda espécie; corruptos e ladrões do dinheiro público, etc., estariam apenas entre os 8.000.000(oito milhões) de ateus brasileiros - onde se encontram intelectuais; cientistas; acadêmicos; artistas, etc -, enquanto no restante da população, valendo dizer nos quase 192.000.000(cento e noventa e dois milhões) de brasileiros, formado por aquelas "pessoas que têm Deus no coração" sómente há pessoas éticas; de moral e livres de toda a prática de criminalidade. Assim, a escória da sociedade brasileira, do alto à base da pirâmide social estaria entre os 8.000.000(oito milhões) de ateus, "os ímpios."

Ao longo da história da humanidade houve muita barbaridade, e, em especial durante o século XX, que registra dois grandes líderes, mundo afora, assumidamente ateus; no caso, Stálim, na extinta União Soviética, e Mao-Tse Dong, na China, ambos responsáveis por mortes e por assassinatos de milhões de seus compatriotas. Apesar disso, os mesmos, aqui no Brasil, inclusive, ainda têm admiradores no seio da "nova" e da "velha esquerda", principalmente entre os portadores de fé, que é a grande maioria dos que a integram. É preciso citar nomes?

Mas da Alemanha igualmente nos vem outro exemplo, também do século XX, de um terrível genocida e assassino de massas, na pessoa do Adolfo Hitler, que levou à morte quase 6.000.000(seis milhões) de pessoas, num universo constituído, principalmente, de judeus, mas também de ciganos; "mestços europeus", etc. E aquele monstro nazista não era ateu, pois tratava-se de alguém que cria em Deus, embora fosse um atormentado, como são quase todos os assassinos e criminossos de um modo geral, aqui e lá fora, a exemplo de Bin Laden e da maioria dos responsáveis por atrocidades e autores de recentes genocídios de povos da região dos Balcãns, sem esquecermos de dois antagonistas ideológicos de nosso continente, o chileno Augusto Pinochete(católico e pró-capitalismo) e do cubano Fidel Castro(ateu e marxista, mas dizem que, dada a sua idade, recentemente foi convertido à fé pelo ditador Hugo Chaves), este que protegia o facínora crente e marxista Che Guevara, e que fuzilou centanas..., talvez milhares de cubanos no paredão, ou não.

Em nosso país também não faltam exemplos de portadores de fé que foram autores ou responsáveis por mortes e todos os tipos de assassinatos, alguns crudelíssimos e inomináveis, como os praticados pelo cangaceiro Lampião, sanguinário e devoto, aqui apenas um destaque entre centenas, ou talvez milhares de outros. E Lampião, como devoto, não era ateu, absolutamente, como todos sabem.

No que concerne aos crimes de corrupção, a política brasileira vem cheia de exemplos de "homens de fé" que a praticam - a corrupção, claro -, nos três poderes da União e nos três planos federativos. Se fôssemos nos concentrar apenas nos últimos anos, bastaria Brasília - aqui mesmo, onde política e religião se misturam como em poucos lugares, igualmente ao Rio e ao Estado de São Paulo, talvez - para ilustrar a lama que envolve políticos "com Deus no coração" e a nefasta prática da corrupção.

Este pequeno e despretensioso texto pode ser tomado como provocativo, e até pode ser, mas a sua finalidade última é a reflexão, principalmente dos jovens, que andam falando bobagens à toa sobre os ateus, agnósticos, etc. Porém, não é um texto apologético, muito menos proselitista, como os de alguns ateus que agem igualmente aos portadores de fé, em ataques recíprocos e inúteis.

Com fé ou sem fé, o seu único juiz, cidadão e cidadã, deve ser a sua própria consciência, livre e refletida, para não saírmos atribuindo isso ou aquilo de ética e moralmente reprovável apenas porque alguém é ateu ou crente. Uma ou outra condição pode influir na maldade, sem dúvida, mas raramente é determinante, como demonstra a própria história da humanidade.