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Opinião - Eleições 2010

 

 

O nosso caminho como nação democrática

 

Láurence Raulino

 

No debate que a TV Bandeirantes realizou entre os principais candidatos a Presidente da República, no início de agosto deste ano de 2010, o inabalável e persistente Plínio de Arruda Sampaio, candidato ao cargo pelo PSOL - Partido Socialismo e Liberdade, e ainda líder daquilo que restou da velha esquerda marxista no Brasil, ao referir-se à senadora Marina Silva – também candidata ao mesmo cargo, pelo PV - Partido Verde –, a tomou por ecocapitalista, epíteto que pareceu quase um insulto, não por parte da eminente senadora e candidata, propriamente, mas por todos aqueles que, em nosso país, continuam nutrindo esperanças e ilusões em relação à trágica experiência que marcou o SOREX – Socialismo Realmente Existente, na metade do mundo que girava sob a lógica do “Muro de Berlim”, isso durante grande parte do século XX, e, particularmente, em nosso continente, que permanece assistindo à interminável decadência do regime cubano, com a sua férrea política de privação das “liberdades burguesas”, aos nacionais, imposta pela ditadura hereditária a Cuba, sob o pretexto de uma miríade do direito à igualdade de todos – excluídos, óbvio, a família Castro e a alta cúpula do Partido Comunista.
Em nosso país, por outro lado, querendo ou não Lula vem provando que o Brasil não precisa do socialismo para ser posto nos trilhos do desenvolvimento econômico, com distribuição de renda e “justiça social”, pois, pela via contrária, a do capitalismo, já devidamente civilizado – ou, melhor, em processo de civilização –, é que demonstra ser perfeitamente possível inserir parcela considerável da sua grande população no mercado consumidor de bens e serviços, única alternativa que também restou a outro gigante dos nossos dias, a China, país que havia passado por uma experiência muito mais trágica que Cuba, com a “Revolução Cultural”, de Mao Tsé-Tung, no curso dos anos de 1960, quando mais de 20.000.000(vinte milhões) de chineses foram mortos de fome, literalmente, em decorrência das inconsistentes, desastradas e inescapavelmente fracassadas políticas públicas do “grande líder”, na prática sucedido pelo modesto Teng Hisao Ping, o “pigmeu” que pôs o “Império do Meio” nos trilhos, e rumo ao futuro mais fantástico e surpreendente, eis que jamais imaginado pelo Ocidente, muito menos pelo “grande líder”, o “camarada Mao”.
O colosso chinês, com a sua recente e já superada história de fracassos (esses, além de produzidos pela mais absoluta incompetência, possivelmente foram agravados pela realidade de uma extraordinária população, dentro de um território ainda maior que o do Brasil), como nós, talvez nos sirva de exemplo, dentro do livre e desapaixonado debate democrático, e, assim, nos leve à conclusão definitiva de que o nosso caminho não é aquele traçado por Fidel Castro, nem tampouco o vislumbrado por “ridículos tiranos” (fui “clonado” pela Glória Perez, por isto faço justiça ao Caetano, na dívida dessa expressão), como o coronel Hugo Chaves, que a todo custo procura impor uma ditadura ao seu povo, com aquele delírio de um “socialismo do século XXI”, do qual os chineses querem distância, embora procurem tirar proveito e vantagens das palhaçadas do presidente venezuelano, “el herdeiro” – o portunhol aqui cai bem – de Bolívar.
A realidade e a história, no entanto, parecem não bastar àqueles que pensam como o respeitável promotor/procurador de Justiça Plínio de Arruda Sampaio, o candidato do PSOL, a quem, aliás, como a muitos outros, devemos todo respeito e consideração, embora deles divirjamos democraticamente, situação esta, apenas possível aos que vivem dentro do Estado Democrático de Direito – construção jurídica/política incompatível com o socialismo e com os seus fundamentos, que são a estatização total dos meios de produção e a “ditadura do proletariado” –, contra o qual lutam todas as viúvas de Marx, Lênin e Mao Tsé-Tung. Mas com esses não caminhamos, nem caminharemos nunca em nosso país, pois o nosso caminho – a democracia, plena e efetiva, sem táticas nem estratégias gramscianas – será sempre o mesmo que o Lula, querendo ou não, vem trilhando, até agora.